Verdades / Medos / Drogas

Há muito tempo que não sei bem o que fazer com este blog. Perdi o interesse – a maior parte das vezes, pelo menos, em tirar fotos minhas com roupa gira vestida. Essas fotos não tinham mal nenhum, claro, mas já não me apetece tirá-las. Estou na melhor forma física que já estive na minha vida adulta e não me apetece tirar fotos agora. Quando pesava 88 apetecia-me, vá se lá entender! Talvez me volte a apetecer mais, quiçá. Neste momento apetece-me sempre tirar fotos mais abstractas e artísticas. Ou então mais directas e simples, coisa que costumo fazer no meu instagram.
Sou de vontades, pancas, manias. Umas passageiras, outras não! Gosto de demasiadas coisas, e nos últimos anos, isso confundiu-me muito. Confunde, ainda! Cheira-me que vai confundir pra sempre. Gosto de design, de moda, de fotografia, de culinária, de bem estar, do planeta, de arte… Gosto de demasiadas coisas. E isso faz com que não consiga saber bem o que quero fazer da minha vida. Há uns anos – agora já largos – tinha um emprego full-time numa editora de livros, e paginava todo o dia. A maior parte do trabalho consistia em co-edições, por isso nunca conseguia ser tão criativa como sempre imaginei, mas gostava do ambiente e das pessoas – especialmente das pessoas! (Gostava e gosto, que essas pessoas continuam muito presentes na minha vida.) Entretanto a empresa entrou em cortes, fui despedida, fiquei feliz. Fiquei feliz porque era isso que eu queria, no fundo! Queria ser mais criativa, ter um emprego que me fizesse sentir uma designer melhor. Queria dar mais de mim. Passado o êxtase inicial do despedimento – eu sei que isto parece estranho mas é a verdade – comecei a ficar deprimida. Não sei se tenho ou tive alguma depressão pelo caminho, mas sempre fui meio bipolar. Num segundo sou a pessoa mais feliz da terra e no outro a seguir até as coisas mais bonitas da vida me parecem uma merda. Será do meu signo? Sou leão. Não faço ideia. Passei por uns dois anos estranhos, em que me sentia meio muito feliz meio muito deprimida. Respondi a 19373928 anúncios e fui a algumas 10 entrevistas, mas nunca fiquei com nenhuma. Comecei a perceber que secalhar tinha que encarar a minha nova vida e não ser desempregada mas sim freelancer. Desde aí que me sinto melhor. Tenho poucos clientes – errr really, fiéis, são 2 – sendo que 1 deles é a empresa em que trabalhava antes. Bonito né? É assim que funciona o mundo do trabalho na tuga, e eu como gostava do trabalho aceitei. Às vezes tenho dilemas internos sobre isso. Se devia fazer isto at all, aceitar. Mas eu gosto do trabalho e a verdade é que recebo melhor à peça do que recebia ao mês – embora não fosse nada mau. Que se foda, faço aquilo tranquilamente e rápido. Mas não é suficiente, e se o meu marido – uhhh marido! palavra estranha ainda. casei-me há uns meses com o homem mais incrível do mundo (!!!) – não tivesse um ordenado certinho, estávamos fodidos. A parte engraçada é que quando começámos a morar juntos era ao contrário, ele o freelancer com pouco trabalho, a ficar maluquinho em casa, e eu a full-time-worker com um paycheck certinho a dia 30.
O maior problema que tenho com a minha recente vida de freelancer é que me fecho em casa e às vezes só saio ao sábado e nem reparo. E mesmo quando reparo… não me apetece sair. Porque está frio, porque não é preciso, e sei lá, porque sim. Visto-me todos os dias mas nem todos os dias tomo banho nem me maquilho – mas isso sempre fiz. Há dias em que fico de fato de treino, o que nem me importo, porque assim garanto o workoutzito ao fim do dia. Menos mal. Descobri com o tempo livre que também gosto muito de nutrição e dediquei-me a aprender muito sobre isso, e a melhorar muito a minha vida. É bom, isso. A parte boa, claro, é que quem manda em mim sou eu, e sou a minha chefinha. É fixe não ter que ligar a ninguém quando estou doente a dizer que não posso ir: sinto que quem comanda sou eu.
Nas últimas semanas procurei muito e em muitas àreas um novo emprego, ou um part-time meio merdoso, ou mais clientes pro freelancing, ou especializar-me nalguma outra àrea, e ainda não descobri nada de espectacular. Mas estou dedicada! Vou tentar não perder a motivação, ao máximo. E por isso, vim aqui escrever. Tipo diário. Tipo cobrar a mim própria – “Vês? Tu disseste que ias procurar, não fiques mole!”
Okok. A ideia inicial deste texto era apenas ter um rantzinho sobre uma coisa que me chateou e ainda nem cheguei lá. Aiiii. Passemos à acção: Embora cada vez me apeteca menos, saio bastante à noite. O meu maridinho é um DJ maravilhoso que tem tocado bastante, e eu também toco – mas muito menos que ele. E, embora adore música – é uma das minhas 500 paixões – odeio o ambiente da música. Odeio a quantidade de drogas que há nos backstages, odeio o à vontade que já há em relação às mesmas, e odeio o feel de “bora foder-nos todos, who cares about tomorrow!”. Well, I do. E, cada vez que o João toca, tenho mini ataques de ansiedade com medo do que vou ver nos backstages. E nas WCs das discotecas. O que se ouve, e o que se vê, que não é a música. Tenho um trauma pessoal com drogas – uma das pessoas mais importantes da minha vida foi addict – e odeio-as. Odeio. Eu sei que odiar é uma palavra muito forte, mas odeio. Destroem a vida de quem as consome e a vida de quem faz com elas cheguem a ti, até à tua moca. Nunca fiz nada disso, nem me vejo alguma vez na vida a ter o interesse de começar. Acredito em highs naturais e não no resto. Bebo pouco e raramente, também. Mas chateia-me. Chateia-me que as drogas me chateiem tanto. Gostava de simplesmente não me importar. Tipo, façam o que quiserem que eu também o faço. E acho sempre que consigo ser assim… até chegar ao club e começar a ficar ansiosa. E a querer ir embora. E a fechar os olhos e pedir ao João pra ir antes de mim ver se se passa algo que eu não possa ver. É que o primeiro ataque de pânico que tive na vida foi porque estava tão distraída a falar com um rapaz num backstage, que não vi que ele ia mandar uma linha de coca. Foi tudo tão rápido que nem reparei. A minha prima, uma das minhas pessoas preferidas, avisou-me a tempo de não olhar mas ouvir. E depois estive 2h na casa de banho a borrar-me. Fixe, né? E a tremer e o caralho. Não foi nada nice, foi assustador. E desde aí que tenho medo de ficar assim de novo. E há uns meses num backstage, só não assisti ao mesmo por sorte, por timing. Porque vi o material a ser montado a tempo de bazar. Enfim… tenho pena que me chateie tanto, mas chateia mesmo. E nunca ninguém acha o mesmo que eu, o que também se torna chato – sim, sim, este sentimento eu SEI que é do signo. Leão. Enfim… obrigada blogzinho por seres o meu sítio de despejo. És um crido. Até à próxima.

6 thoughts on “Verdades / Medos / Drogas

  1. Anónimo Fixe

    Maria, não me conheces mas achei que mereces saber que te admiro muito – pelo menos, do que vejo e leio na internet. Continua tudo o que tens feito tão bem! :)

    Reply
  2. Sara

    Querida, seja com fotos, sem fotos, com música ou sem, é bom ter-te novamente por estes lados. Espero ler-te mais e compreendo perfeitamente o que disseste aqui, quem sai à noite ou vive muito nesse ambiente certamente que se identifica um bocadinho com as tuas palavras! Um beijinho grande e volta mais vezes!!!

    Reply

Leave a Reply to Ana Fiuza Cancel reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *